30/10/2007 15:49

O MAU
Todos os dias quando acordo reluto em acender o primeiro, juntamente com meu aliado café. Penso mil vezes se devo. Sinto minha saúde me deixano de lado, como uma amiga que não acredita mais em mim. Não reluto mais. Acendo o fogão, aproximo o cigarro da brasa e dou início a mais um dia.
Já no Hospital das crianças, onde estagio, reclamo com mães que fumam perto de seus filhos. Acredito nisso. Elas, como eu, dão uma torcida labial, como quem diz "-Continue" sem ter dado a atenção necessária ao que foi dito. Continuo atendendo e me divertindo com as crianças e seus casos de vida. Pais mimadores, desageitados, super protetores e descuidados. A manhã vai se pondo até que somos liberados. Como um tiro volto pra casa.
Ao chegar, bermuda e chinelo, pois parece que estamos no inferno. Chego desatento, acendo o fogão e dou vida ao meu grande companheiro. Companheiro este, que me dá prazer e desprazer, combinando desejo e medo durante alguns poucos minutos. Esmago ele num cinzeiro como num alívio de tarefa cumprida.
Nariz, garganta e peito reclamam desse amigo que parafrazeando eles: "-Coff coff coff" É, eu sei que ele é irritante. E fedido... Mas me acostumei com sua presença na minha vida e nesse momento não sei como viveria sem seus ares.
É hora do almoço e parece que já faço o prato pensando no digestivo para se fumar. Me puno com pensamentos obstrutivos ao anterior. Como, corto e mastigo. Ponho um copo de agua, o prato na pia e o fogo no fogão... Me rendo à minha infelicidade.
O último do maço. Nunca é o último.
Assim segue meu dia. Sempre com interrupções para colocar fumaça nos pulmões. Como num atentado ambiental ao meu organismo. Agressão de poluentes. Triste.
Acredito que posso mudar. Acredito mesmo. Mas preciso do querer...e isso eu não sei se quero. O vício que me incomoda e me prende.
Acendo um cigarro e releio tudo que escrevi acima.
Publico!
enviada por Pato
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